Acreditar

Eu acredito em ti. Tilintavam copos, fazia-se conversa pequena, outra grande, passavam pessoas lá fora, e eu acredito em ti. Havia o silêncio das paredes, o ambiente de festa, coisas coloridas, gente sorridente na conversa de circunstância, e duas cadeiras a um canto, atrás de toda a gente, como que escondidas. Falavam gentes em púlpito e os ouvidos moucos. E eu acreditava em ti. Dedos, as mãos, suspirar e respirar fundo, as portas fechadas, todas as portas fechadas, os espaços vazios, as salas vazias, o mundo vazio, e tu, e eu, sempre tu, sempre eu. E tilintavam copos. E vinha gente que me cumprimentava, que me apertava a mão entre sorrisos. E todos sorriamos, uns mais que outros, uns por uma razão, outros por outra, secreta e profunda, mas o importante era acreditar. Por causa de tudo. Dos sorrisos. Dos risos. Porque acredito em ti.

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