Erinnern, Wiederholen und Durcharbeiten

A dado instante fui alertado para isto, e fez sentido. Com o tempo sobre o tempo, levei-me a aceitar coisas que outrora recusava como coisas de pouco valor. É quando olhamos profundamente para o nosso interior que percebemos quão complexos somos. Quão complexos todos nós somos, apesar de ser possível entender, a pouco e pouco, que processos são aqueles que nos moldam. Como a compulsão a repetir. Se tivermos crescido habituados a pais que não comunicam, é muito provável que nos encontremos, em adultos e enquanto maridos ou mulheres, a perpetuar esse estilo de relação. Talvez em algum momento nos questionemos sobre se isso é assim. Se é tudo quanto há. Mas parecerá confortável. Se crescermos num contexto de desconforto permanente, levaremos isso para a idade adulta. Mas encontraremos esta compulsão noutras coisas. Se em algum momento muito recuado da nossa vida tivermos falhado em algo, e nesse episódio existir um odor, uma imagem, uma cor, uma qualquer coisa que os sentidos percebam, é muito possível que no futuro, quando colocados perante o mesmo estímulo sensorial (ainda que num contexto totalmente diferente) fiquemos desconfortáveis e predispostos ao insucesso. Repetindo padrões. Quem não recebe afecto, não o dá, mesmo tendo para dar. E repetirá isso, até que o padrão se quebre. Quem convive com a culpa dos outros, trá-la consigo e vive-a como sua. Quem se rodeia de gente feliz, tende a ser feliz.

Inconscientemente, temos uma tendência a repetir padrões. Comportamentos. Quando o fazemos, ficamos reféns dos aspectos negativos das nossas próprias vidas mas, mais grave que isso, ficamos eventualmente reféns das vidas que nos precederam, porquanto tenderemos a repetir o que de negativo tiver vindo da nossa infância. E isso significa que vivemos pouco do que é nosso. Quero muito voltar a isto, apesar do já muito que nisto tenho andado. Mas para já, Recordar, Repetir, Resolver.

 

Posted in Crónicas curvas

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