Se de quando em vez algo se passa, se duvido das forças que tenho, naqueles breves momentos na escala da vida em que me sinto um damaged good, agarra-se a mim uma pergunta que não sai, que não se sacode. Que sempre existiu. Quem me quer, quem me ama, quem me atura assim? Quem quer um damaged good por perto, mesmo que seja pouco, mesmo que seja só às vezes, mesmo que isso seja tão pouco do quanto sou, e nem seja sequer totalmente quem sou, senão manifestação de uma parte de mim, que vou encaixando, que vou resolvendo, que vou expurgando. Uns dias mais, outros menos. Lança o medo a sua manta sobre mim, obscurece as maravilhas que o mundo tem, cega-me, por instantes. Instantes longos que depois desistem de mim e me devolvem à certeza, até à próxima ocasião em que me sinta, de novo, um damaged good.