Descalça vais, com os pés na alcatifa que reveste o espaço, confinada a um espaço estreito, que beneficia o braço que se esconde e procura prazer. Imagino que o frio de outrora fosse agora muito calor, como as gotas do suor que resvalam e se fundem no resto que de ti transborda, o rio de vontade que avança connosco quase à velocidade do som, e nós escondidos naquele barulho, alheios a todas as luzes das casas e das cidades. A minha mão procura-te e liga-se como uma ficha eléctrica. Damo-nos choques, completa-se o circuito que tem já muito mais de mental do que de físico, e enquanto isso gira o planeta, rasgam-se as nuvens, corta-se o ar como gaivota de metal afiado. Imagino que comeces a sentir a bola de neve dentro de ti. Pequena, primeiro, depois rolando pelo teu corpo até explodires, no meio da loucura, num qualquer insólito, coisa rara, um papel de jornal que afinal procuras ler, pousado sobre o teu colo, e nunca tão interessante, nunca com tão boas notícias e tão edificante jornalismo quanto ali, naquele momento.