Mais do que de tempo, a vida faz-se de espaços. As coisas precisam de espaços para existir e para se desenvolver. Às vezes os espaços reduzem-se, quase se anulam, e nunca se deve tentar entrar num espaço que não se tem. Depois de tudo dito e feito, as pessoas tendem a dizer e a fazer mais qualquer coisa. Não é de criticar. Diz-se e faz-se por aquilo que apetece. Mas tem de haver espaço. E quando não há espaço, o melhor é recuar e não fazer força. Seria sempre pior. A habilidade reside também aí, em saber ler espaços. Umas vezes conseguimos lê-los sozinhos. Outras, é preciso que nos rebentem a bomba na cara. A prudência manda ser vidro. Transparente e fino. Não ser visto. Não estar. Não pretender existir num espaço que não está disponível, num espaço que ninguém tem para oferecer. Às vezes acontecem Big Bangs ao contrário. O espaço não desaparece, apenas se condensa a um ponto que o nosso olhar não detecta. E assim como o essencial é invisível aos olhos – nunca suficientemente grato ao Saint-Exupéry por tamanha verdade -, também nós. Feitos essenciais. Feitos vidro.