Naquele quarto amplo era também ampla a cama. Alva e fofa. Tu estavas deitada de barriga para baixo, com a cabeça apoiada nos braços cruzados, e eu deitado de lado, a olhar-te. Olhaste-me com aquele ar que não sei explicar – ou prefiro não explicar -, e com um pequeno beicinho ouviu-se “hmm…”, e questionei. Sim? Já se fodia. Como? Já se fodia, querido. E enquanto isso abanavas devagarinho o rabo, ligeiramente empinado, como que a provocar. Mentira. Não era provocar. Era mesmo convite. Então repetiste, João, fode-me João. Quero que me fodas. Num movimento contínuo, deitei-me sobre ti, e deixei o meu caralho entrar na tua cona sem resistência, descruzei-te os braços e pressionei os pulsos, afastados, contra a cama. Com parte do meu peso, estavas imobilizada, enquanto eu entrava e saía de ti, e respirava os teus cabelos. Com as minhas pernas, que estavam do lado de fora, apertava as tuas que, fechadas, ficavam assim sempre mais juntas, e só o meu baixo ventre fazia como um baloiço, que ora se aconchegava na tua pele, ora ganhava balanço. E o calor, a humidade, tudo estava molhado, sentia-o nas coxas, sentia-o nas virilhas, sentia-o no pau hirto que te namorava e depois entrava fundo, no limite suportável da dor. E depois dizes-me que queres olhar-me, que não queres vir-te já, e eu mais que isso, e já abraçados de olhos nos olhos dizemos o que sentimos sem sequer falar, e deixamo-nos vir, perdidos sem sentidos, cravados um no outro, afundados em espaços que não têm palavras.