Saltos Altos

 

Aldo Lovecky

 

Chegaste de saltos altos. Na verdade, chegaste como eu gosto de ver. E vieste, julgavas (julgavas?), para a rotina. Um beijo, conversa, um café e talvez um croissant na pastelaria do lado a ver chover na rua. Suspiros, folhados diversos, palmiers a piscar-nos o olho. É terrível ser guloso. Mais ainda, guloso de pele. De cheiro. Sem rodeios, guloso de foda. Com manteiga. E conversas, que se faz tarde, deixamos para depois, enroscados a arder, e vamos de mãos em coxas e centros de gravidade, e perguntas “tiro os sapatos?”. Nada disso. E rodando-te de costas para mim, e pernas juntas, entro em ti por trás, apertada mas sem esforço, que pingas, e eu também.

Posted in Crónicas curvas

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