Tu foste e eu fiquei, neste espaço infecto. Tu partiste e eu fiquei. Nunca mais a porta se abriu como outrora, nunca mais me interessei por quem nela parou, nem tão pouco alguma vez se voltaram a debruçar aqui, a ocupar este pequeno espaço ao lado de onde me sento. Que desertos de segundos e minutos, horas e dias. Que degredo, vazios sem estrelas, sem poeira cósmica, aqui onde nem sequer o vácuo existe, o nada persiste, o zero mais absoluto da anulação.

Tu foste e eu fiquei, e quando foste levaste tudo contigo.

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

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