O que eu gosto de estacionar o carro, à beira do mar ou do rio, num final de tarde, e dormir uma sesta, não tem explicação. Também gosto (diria, prefiro) de carícias, mimo, cuddling. Mas por ora, fiquemos em dormir uma sesta. E dei por mim num local que conheço muito bem, ao pé do rio, onde vi a água picada pela brisa e os barcos passar, o Sol a cair sobre o mar, e eu num estado de transe, a dormitar embalado pelo barulho de pessoas que passavam. Quando lá cheguei, estava já um automóvel estacionado em local recuado naquele amplo recinto, local que nada interessava para ver o rio ou as pessoas passar. E quando acordei e por fim me retirei, o carro ainda ali estava. E eu olhei, por escasso instante, para confirmar o que sabia. Lá dentro e no banco de trás uma mulher repousava (forma de expressão, suspeito), sentada ao colo do seu homem, com os cabelos caídos e ela também caindo sobre ele, num beijo que adivinho longo e numa coreografia ritmada. Sorri. Sorri com gosto cá dentro, e deixei-me levar para outros dias no intrincado das minhas sinapses.

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

Your comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *