Menina pequena, que fizeste tu? Que fiz eu? Que fizemos nós, que tínhamos o mundo todo nas nossas mãos, e a certeza de que isto é verdade, de que isto é bom, e não segurámos as mãos firmes quando correram aos nossos braços e nos forçaram os dedos para tirar o tesouro que apertavam. Menina pequena, que fizemos nós, parece que abrimos o livro antes de tempo, que mordemos a maçã antes de cair da árvore, partimos antes do disparo, fomos cheios de sede a um pote que ainda não estava no fim do arco-íris. Menina pequena, menina minha, e agora que temos as mãos tão vazias, dizem uns, ou tão cheias, dizem outros, que serve isso se as mãos, vazias ou cheias, vão sem um e sem o outro lá dentro, se os dedos não se apertam com força, ou mesmo devagarinho, mãos pousadas umas nas outras, avançando devagar, devagarinho, pela noite dentro, pela estrada fora. Minha menina pequena, pedaço inteiro da parte que falta, vulcão que me derrete e incendeia, que fizeste tu, que fiz eu. Que vais fazer tu, que vou fazer eu.