Farol

Os pontos cardeais, conheço-os bem. Não apenas os que toda a gente conhece, mas também os mais difíceis, aquelas coisas como o nor-noroeste, o sul-sudeste, e tudo o que anda à roda, entre os zero e os trezentos e sessenta graus. Conheço todas as direcções das quais o vento sopra, por onde as agulhas passam, por onde a espuma do mar se atira contra os rostos. É importante ser firme, conhecer tudo à volta, para se ser rocha, para se ser segurança, aquele farol cuja luz brilha e orienta, o sítio que se procura quando se está perdido ou onde nos escondemos para trocar segredos apaixonados. Ser farol. É o que quero, ser farol.

Posted in Crónicas curvas

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