Se projectar o espaço onde me movo, não sei se resulta um círculo ou um quadrado. Talvez a forma se modifique, adaptando-se às circunstâncias. Mas uma coisa eu sei, e sempre o soube. É um espaço pequeno. Apertado. Exclusivo. Com pouco onde encaixar gente. Entram sob apertado crivo. E sei mais que isso. Sei que o plano em que esse meu espaço respira é muito, muito fino. Como um pedaço de atmosfera, um volume de ar muito bem delimitado, onde se respira o sublime. E é difícil estar no sublime. Se se aponta para lá do sublime, fica-se num excesso que abafa e reduz, e se não se tem dedinhos para tocar o sublime, fica-se abaixo, num contentamento pejado de vazio. O sublime, onde me movo, é do detalhe. É cinematográfico. É requintado. É dos momentos explosivos, impetuosos, é de rasgar as vestes, esgaçar tudo quanto se possa, mas com classe. A classe do prazer indescritível. O problema do sublime, reconheço, é descrevê-lo. Talvez, sendo assim, não seja de tentar fazê-lo. It takes one to know another, dizem. É como isto. Só quem o habita sabe como é, e as palavras serão sempre tímidas. Já estive acompanhado no sublime. É por isso que sei que, sendo o meu quadrado ou circular, há quem lá encaixe. O sublime é um espaço parcamente povoado. Na prática, solitário. E é lá que eu estou.