Os homens quando estão doentes com coisas ligeiras (entenda-se, uma constipação, uma gripe – se bem que as gripes podem não ser nada ligeiras -, uma indisposição qualquer) estão à beira da morte. Todos conhecemos excepções, mas eu não sou uma delas. E confio nesta generalização. Os homens não reagem tão bem à doença quanto as mulheres. Um homem com 38 graus de temperatura está praticamente pronto a enterrar. Uma mulher não. E eu conheço mulheres bem capazes, que muito admiro.

Dei por mim a pensar nisto esta semana, quando me encontrei de molho, obviamente à beira da cova por causa de uma constipação forte, e percebi o porquê disto: as cavernas. Nos tempos da caça aos bisontes, quando vivíamos dentro de cavernas e grutas, os homens tinham de estar no pico da sua capacidade física. A diferença entre comer e ser comido seria pouca, era preciso correr a bom correr, e todos sabemos que quando temos febre a nossa capacidade física diminui. A febre aumenta o nosso ritmo cardíaco, e portanto creio que muito mais depressa atingimos um nível de esforço elevado e consequente exaustão (sem base científica nenhuma, é apenas dedução minha). Consequentemente, um antepassado nosso que se fizesse à caça das bestas com uma constipação ou gripe, ficava pelo caminho. Já as mulheres, cuja ocupação se faria sobretudo nas grutas a discutir os seus assuntos (em grunhido também se punha a escrita em dia), passavam muito melhor pelas doenças ligeiras. A evolução terá ditado que os homens que ficam à beira da morte quando estão constipados, sobrevivem. Os outros, não, porque se fazem à luta e falham.

Assim, ainda que possam dizer que é pieguice, ou que a culpa é das minhas imunoglobulinas, eu sei que não. A culpa, de certo modo, é do Darwin. Ou, se preferirem, das grutas.