Acordei sem razão especial nem hora marcada. Rodei a cabeça na direcção do relógio e passava pouco das três da manhã. A tua perna estava lançada sobre mim, como tantas vezes acontecia. Gostavas de fazê-lo, e eu também. Talvez fosse para eu não fugir. Não sei. Não me importa. Sentindo o meu corpo mover-se, mexeste-te e mudaste de posição, de costas para mim. E eu cheguei-me a ti, encostei-me ao teu corpo, também como tantas vezes. Gostava de fazê-lo. E tu também. Por felicidade da nossa anatomia, enquanto perdia o meu nariz no teu cabelo e as nossas coxas se tocavam, perfeitamente alinhados e tu molhada, o meu caralho cresceu até entrar sozinho na tua cona. Sem esforço, nem acerto. Só compasso, naquela hora do lobo, em que afundado nos teus cabelos e tu gemendo baixinho nos permitimos vir, ficando depois assim, agarrados, apertados, alheios ao frio do mundo, até ser dia novamente e partirmos, mundanos, aos afazeres interrompidos, a espaços, por sorrisos silenciosos que ninguém sabia ao que vinham, mas eram apenas a antecipação de mais uma noite, de mais um inconfessável entre as nossas paredes.