Por intermédio de um conhecido, cheguei à leitura de um artigo sobre um livro em que se afirma que as mulheres gostam tanto de sexo quanto os homens, e que, em rigor, gostam muito de foder. Não vejo aí nada de espectacular, nada que deva admirar um homem (que se considere) bem informado. O que esse texto me fez pensar, e merecer esta breve nota, é que os homens continuam assustados com as mulheres que gostam de foder. A mulher não tem sequer período refractário, pode foder até ficar dorida, até ficar em carne viva. Não precisa parar entre orgasmos. E creio que isso nos assusta. A nossa sociedade desenvolveu-se sobre uma mulher sexualmente amorfa, cujo desejo é limitado e orientado apenas para o companheiro. A mulher em que fomos ensinados a acreditar não tem fantasias, não tem desejos descontrolados de se vir como se não houvesse amanhã. Isso é obviamente mentira. Se somos feitos da mesma matéria, diferenças óbvias à parte, se nós gostamos de foder, as mulheres também.

Talvez o homem se assuste com a mulher fodilhona porque, sem período refractário e capaz de foder até não poder mais, pode saltar não de nenúfar em nenúfar mas sim de pénis em pénis. Temos medo de ficar para trás. No fundinho da nossa mente está o receio de não ter pedalada, de não ter pénis que chegue para manter feliz a fêmea que nos fode. Ora, homens, não é isso. Temos de ter muito mais trabalho, sim. Mas isso não se mede no tamanho do pénis, na grossura, ou nas horas consecutivas durante as quais conseguimos manter uma erecção firme. Acredito muito (mas muito) que é mais importante fugir ao eterno frango assado – nada de mal nele, mas não sempre! -, aceitar que o desejo não tem hora nem local certos, que há muito sítio para foder, muita loucura para viver, e que isso exige libertar o cérebro. O corpo vai atrás. O momento em que não temos medo de uma mulher que quer foder, é o momento em que fodemos à altura dela.