Apetece-me o silêncio. Apetece-me não ser visto. Apetece-me um espaço calmo onde possa estar enrolado numa toalha de banho, húmida, enrolada em mim. Apetece-me sentir mãos no corpo. Apetece-me sentir cócegas, carícias, carinhos. Apetece-me sentir mimo. Um beijinho na cara, mãos na face, ou no cabelo. Eu sei que é pouco. Mas ainda o tenho. Apetece-me que te enroles numa toalha húmida. Que os pés se toquem. E que, a pouco e pouco, as toalhas se libertem um pouco até que as tuas pernas e as minhas se possam misturar. E só isso. Só assim. Apetece-me dormir. Apetece-me não ter pressa para nada. Poder atirar-me para um sofá sem esperas nem horários, deixar-me embalar. Embalar. Apetece-me afundar o nariz em cabelos, beijos na nuca, mãos nas mãos. Apetece-me brisa. Como a do final da tarde quando o sol é quente o suficiente para não nos deixar tremer, mas fresco quanto baste para não se derreter. Apetece-me a moleza do corpo, depois de caminhar ou correr. Apetece-me dormir colado, com a pele na pele, e acordar com a luz do novo dia a entrar na janela.