Estarei sempre muito bem. Quando estiver na crista da onda, no melhor que possa e consiga, estarei apenas e só muito bem. Inversamente, quando estiver na mais profunda merda, no buraco mais esburacado de entre todos os buracos, estarei sempre e só muito bem. É o que responderei a toda a gente. Muito bem. Deixei que demasiada gente soubesse de mim e das minhas coisas. Devia ter tido muito mais cuidado. De mim, das coisas que sinto e de como estou, pouca gente precisa saber. Muito pouca. Apenas a gente do meu coração. Fazendo bem as contas, não preciso de muitos dedos das minhas mãos. Mas os dedos não sobraram, precisei dos dedos das mãos e mesmo dos dedos dos pés – and then some – para contar as gentes que souberam de mim, directa ou indirectamente, que fizeram juízos sobre mim, que acharam tudo saber. Até a cabrões com filosofias de vida tive direito. Só que da vida deles. Vale o que vale.

Fosse eu um cabrão e teria tido a astúcia que não tive. Mas fui um amador. Uma peça inexperiente nas questões da vida, e por isso agora preciso conviver nos mesmos corredores com gente que pensa coisas, que acha coisas, que diz coisas. É por isso que me fecho. É muito por isso que para mim, doravante, estará sempre tudo muito bem. Nem que seja amarelo, o meu rosto terá um sorriso. Não se procure saber de mim junto de quem seja. Porque não terão nada para dizer senão que estou porreiro. Saber de mim, só mesmo junto a mim, face a face. À gente do meu coração eu digo sempre se estou muito bem, ou muito bem. Aos outros, aos que habitam fora de mim (ou não tão dentro), eu estarei sempre, sempre muito bem.