O Verão está a esconder-se, amor. Em breve seremos abandonados. O Sol saltará menos alto, e idos estarão os dias dos jotas, os Junhos e os Julhos das oportunidades, do calor que se espera, risos e sorrisos de corpos despidos. O frio espreita-nos. É Setembro. Finalmente Setembro, e com ele as sombras alongam-se, e sobre nós atiram-se cores de outro laranja, vem um Outono que nos beija ainda quente, mas sem urgência, com uma calma que levamos no bolso, amor.

Em breve estaremos vestidos até ao pescoço, reinarão as botas, seremos todos caçadores uma vez mais, e virão opacidades, padrões, casacos quentes entreabertos para um abraço ainda mais íntimo. Não mais incomodará o calor que queima sob os lençóis, rolaremos de novo, amor. E olharemos de novo em frente, antecipando outros dias dos jotas, do Sol que virá, desse novo Verão que dará sentido ao Inverno, mil e um dias de amor, e ondas que vibram na mesma sintonia, no mesmo riso sem travão.

O Verão está a esconder-se, amor, mas juntos nunca houve frio.