Conto de um beijo

Nem todos os contos são longos, e não preciso de muito para este. É um conto de um rapaz e uma rapariga. De um frio de rachar, que agredia os dois como espadas de samurai. Agarraram-se para uma fotografia, sorridentes. E ela, esticando-se um pouco, beijou-lhe a face fria. E tudo ficou calor, porque aquele beijo, que nenhuma fotografia capturou, foi um beijo de lábios quentes. Naquele beijo ela disse-lhe “eu amo-te”. Disse-lhe “eu quero-te”. Disse-lhe “sou tua”. Não foi um beijo de prazer passageiro. Não foi um beijo de passatempo. Naquele beijo estava toda ela. Doce. Vibrante. Mulher. Este é um conto curto. Mas não precisa de mais.

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