Existe muito de mim nas tuas costas. Estou presente nas tuas coxas, deslizo nas tuas mãos, sou parte dos teus braços. Os meus pés estão nos teus, os meus lábios vivem nos teus. Nos grandes, nos pequenos, nos da boca. Os meus dedos existem na tua barriga, na pele que cobre a bacia. O teu pescoço é pastagem do meu beijo, os cabelos são fios que sinto e cheiro. As tuas nádegas são doces que seguro, e os mamilos, que ora lambo ora trinco, são repasto para corpo esfomeado.

Do olhar jorram prosas que as cordas vocais não articulam, e das bocas apenas se subtraem frases soltas, ápices que por vezes se condensam apenas num nome que se repete. É um vem-te e um vou vir-me, são dois, são mais. São dias sobre dias de cama, de chão, de paredes, de janelas e duches. São maneiras de dizer que faz falta, que cada um precisa do outro, que tão depressa se fazem notar nos corpos rebeldes como num momento calmo de mãos dadas, de abraço, de cabeça sobre as pernas, num repouso tranquilo.

A perfeição, bem se sabe, não existe. Mas é possível andar lá muito perto.