Tonight we Tanqueray

Há coisas que se desenvolvem com a idade. As nossas papilas gustativas crescem (envelhecem) connosco e descobrimos sabores que talvez não nos fossem agradáveis a princípio. É natural que estejam a pensar nisso. Eu também. O gosto por uma boa vulva pode não estar lá no começo, mas depois de se aprender a degustar tão delicioso fruto, quando o fruto é bom, dispõe sempre bem, deixa-nos a alma tranquila, e há algo de mágico nisso. Mas este apontamento breve é sobre Gin. O que não tem mal algum, porque não são coisas incompatíveis. Há vários anos atrás a ideia arrepiar-me-ia porquanto, por um lado, não sou apreciador de bebidas destiladas puras, e, por outro, o sabor da água tónica nem sempre me cativou. Mas hoje, confesso, sou adepto incondicional. E gosto particularmente do Tanqueray. Sei que não é o Gin, e que possivelmente não reúne a horda de seguidores confessos do Plymouth, mas para mim, para as minhas papilas, cai sempre bem, e deixa-me mais feliz do que o omnipresente Gordon’s.

Para mim, beber um GT é qualquer coisa próxima de um ritual. E o que me agrada nos rituais é, muitas vezes, o que se subentende. E nesse tanto, para além do sabor, adoro a mensagem com que promovem o Tanqueray: Tonight we Tanqueray. É uma mensagem malandra. O gajo (ou gaja) que pensou na frase Tonight we Tanqueray estava provavelmente a pensar, ao mesmo tempo, em coisas como “Tonight we fuck”, “Tonight you’ll fuck me hard”, ou qualquer coisa nessa linha. Em português também funciona. Esta noite parto-te toda. Ou tu a mim, para não ser sempre o mesmo a partir. Esta noite agarro-te por trás. Esta noite vens-te comigo. Esta noite agarro-te pelos tomates. Esta noite faço-te um bico. Esta noite… Dá para tudo. Não me canso disto. E não consigo olhar para o raio da garrafa sem sorrir, de forma mais ou menos expressiva, porque penso sempre, sempre, nisto.

Tonight we Tanqueray

 

Para referência futura: isto, e claro, isto.

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

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