Temos a ideia de que a verdade dói. E temos essa ideia porque julgamos que a verdade dói aos outros. E dói-nos também a nós quando os outros a atiram contra os nossos ouvidos. E com isso esquecemos que a verdade que mais dói é a que temos de dizer a nós mesmos, sem intercessão de terceiros. A Honestidade é um caminho doloroso. Preferimos, não raras vezes, o auto-engano, conduzindo-nos por caminhos de conforto e contentamento mediano, procurando esconder-nos em dúvidas, incertezas, diminuídas auto-estimas, porque quando não se mete o pé no gelo fino, ele não quebra. E não se cai na água gelada. Mesmo que exista uma mão que nos puxe de novo para o calor, para os corações escaldantes.

A Honestidade para connosco mesmos é um dos nossos maiores medos. Temos medo de pensar na verdade, e mais ainda de a dizer em voz alta, deixar o pensamento fluir e sair da nossa boca para depois dar a volta e entrar-nos ouvidos dentro, duplicando o que sabemos ser o que é, ouvido depois de pensado. Ninguém será feliz sem a honestidade. Sem a verdade. Que é dura. Que pode custar horrores. Que pode não chegar toda de uma vez, ou muito depressa, ou ontem, mas que chega e tem de chegar. Somos mares de gente com medo de viver, e oceanos de gente enganada. A verdade instala-se e produz efeitos quando se começa a dizer em voz alta aquilo que já se sabe e procura esconder, por qualquer razão, por muito válida que nos pareça.

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

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