Que coisa é essa da cara-metade, minha gente? Deixai-vos disso, que as caras não se querem metades. Não se querem pessoas incompletas, que apenas estão inteiras quando estão juntas a alguém. Eu não quero que sejas a minha cara-metade, nem tão pouco quero eu ser a tua, por muito que saibamos ser cada um a parte que o outro quer. Ser-se cara-metade de alguém é ser-se imcompleto. E o que queremos, bem vistas as coisas, não é isso. Queremos ser um, e que o outro seja também um, e que um e outro sejam, juntos, mais que dois, criando uma união cuja cumplicidade se torna maior que a soma das parcelas.

Só está bem quem está inteiro. Uma relação não se faz de fracções. As fracções criam clastos, dão origem a relações com fissuras que abrem ou deslizam com o tempo, e nada se aguenta quando está fissurado porque as pessoas não estão inteiras. As relações fazem-se de gente inteira. Gente que é una, que está ciente de si, de quem é, capaz de sobreviver por si própria. A magia é ser capaz de sobreviver inteiro e sozinho, e querer fazê-lo com outra pessoa que também é capaz do mesmo. Não há dependência nem anulação. Um e um. Mais que dois. O amor é coisa para isso e eu não quero que sejas a minha cara-metade. Quero-te inteira.