Os geógrafos – das curvas e outras geografias – sabem o que é o determinismo e o possibilismo. Sabem que a escola alemã defendeu o determinismo, corrente do pensamento segundo a qual o Homem está condicionado pelo seu ambiente, o que o levou a precisar adaptar-se, para sobreviver e prosperar com as condições que lhe são oferecidas pela natureza. O determinismo condiciona, remove ao Homem a capacidade de contrariar o meio. A escola francesa avançou com outra linha de pensamento, o possibilismo. Na óptica do possibilismo, o Homem não é passivo, condicionado pelo meio, mas sim capaz de o alterar, de romper com as limitações do meio e modificá-lo a seu favor.

As nossas vidas podem ser encaradas assim. Podemos ser deterministas ou possibilistas. Se formos deterministas, aceitaremos aquilo que a vida nos der, e faremos com ela o que puder fazer-se. Limonada com limões. Seguimos em frente, com o que houver. Se formos possibilistas, não nos conformaremos com o que a vida dá. E a vida não é nada. A vida não dá nada. A vida somos nós. A vida é aquilo que fazemos com ela. Muitas vezes fazemos mal. Mas estamos nós verdadeiramente impedidos de a modificar, até ao nosso último fôlego? Será algum dia tarde de mais? É uma escolha nossa. Deterministas ou Possibilistas? Se me apetecer fazer limonada com laranjas, tenho de pôr a minha mente a trabalhar para isso. Se me apetecer romper com todos os grilhões, tenho de fazê-lo sem olhar para trás. Sempre para a frente, a cada momento, em passos menores ou maiores conforme se possa, mas sempre indo, andando, fazendo.

Sejamos possibilistas. É possível, sim. A vida não nos dá nada porque não tem nada para dar, não há nada em prateleiras à nossa espera, não está nada pré-definido. A vida fazêmo-la a cada segundo, quando um raciocínio se traduz num ímpeto que comanda uma palavra ou um gesto. Tudo acaba num momento. Uma frase que se diz. Um gesto que se faz. As nossas vidas viram, para qualquer lado, em qualquer ângulo, em menos de nada. Sejamos possibilistas. Se pode fazer-se, se queremos que se faça, façamo-lo.