Há um antes, e um depois. Os brilhos são diferentes, desde logo porque antes havia, e era genuíno, e agora é feito na China, em série, com material de menor qualidade, para o gasto dos dias que escorrem. Os corações não se partem. Continuam, enquanto continuam, o seu trabalho de fazer correr o sangue. Mais depressa ou mais devagar, conforme a felicidade ou ausência dela, conforme a excitação, ou falta dela. As cabeças sim, essas partem. Desmoronam. Podemos ter a cabeça montada sobre o pescoço, como manda a anatomia, e no entanto andar com ela, para todos os efeitos, a arrastar pelo chão. Ou deixá-la algures, em pousio.

Eventualmente gritas. Há sempre aquele momento de abrir os braços e gritar, ou de partir coisas, de dizer que não se pode, que assim não dá, que é demais, que não se morre, nunca se morre disto, que a sobrevivência é certa, segura, e que talvez, só talvez, se consiga também… sossegar por fim. Reencontrar o sorriso. O que nos falta, o buraco que ficou, que fica, que perdura. Porque hoje sabes. Hoje sabes bem. Que perdura. Que a linha que une é ténue mas inquebrável. Invisível, mas sensível.