Minha Maria e Esposa. Sinais de que um casamento está podre, ou de que um homem pretende que fique. Aceleradamente. Das piores coisas que um homem pode fazer é chamar à mulher com quem vive, tendo casado ou amigado que para este concreto é razoavelmente irrelevante,  “a minha maria” ou “a minha esposa”. Tenho dito, desde que me lembro e mesmo correndo o risco de me lembrar já muito pouco, que os homens precisam, nas suas fêmeas, de mães, amigas e putas. É a trindade sagrada de uma relação de longo prazo, nem sempre como vasos comunicantes que equilibram, mas com doses variáveis de alguma dessas qualidades conforme a hora do dia e do dia da semana. Chamar a uma mulher “a minha maria” é matá-la como puta e talvez mesmo como amiga. A minha maria é aquela que me limpa a casa e esvazia o cesto da roupa suja, aspira o cotão do chão e lava os pratos. A minha maria é aquela que me passa a roupa a ferro. A minha maria é, em suma, muito mais uma espécie de mãe do que qualquer outra coisa. As mães, já se sabe, não se fodem. Acarinham-se. Mas o carinho não faz ninguém feliz por si só ao longo de uma vida inteira. Tem de haver sempre algo mais.

As esposas também não servem. A esposa é porcelana no armário. A esposa é aquela mulher que se trata com luvas de silicone, sempre a uma distância segura. Uma esposa será porventura amiga, mas dificilmente puta. Talvez também sobretudo mãe. Uma esposa não se faz vir, vezes e vezes seguidas. A uma esposa concede-se uma foda de calendário, para marcar território. Mas as esposas não fazem vibrar. As esposas são assépticas, são universos de cheiro a éter, são seres quase assexuados. Quase, porque, bem se sabe, o tempo sobre o tempo que passa, de se ser maria e esposa, faz delas, um dia, mulheres de outros, e a nós, machos de outras fêmeas também.

Matilha, homens de tomates bravos, ouvi-me. As mulheres com quem se vive não são marias nem esposas. São mulheres. As vossas mulheres. São aquelas gajas que fodem contra as paredes, que vos chupam como se o amanhã estivesse condensado nos vossos falos, que vos cravam as unhas na pele sem medo de vos magoar ou arranhar, que vos mordem a boca quando vos beijam. São as mulheres que vos oferecem o corpo e vos dizem “anda cá” para entrarem nelas a gosto. E uma maria, ou uma esposa, nunca será isso, nunca vos levará daqui a acolá sem saberem como, nunca vos deixará com cara de idiota quando se sentem deslizar como faca quente em manteiga.