Os homens perfeitos

Mulheres, lamento que nos possam considerar básicos (como muitas de vós consideram), mas na origem disso está o facto de o nosso negócio primordial ser fácil de entender: caçar ou ser comido. Tornámo-nos pragmáticos – que é aquilo a que vocês preferem, carinhosamente, chamar básicos – quando tinhamos de correr envoltos em peles, segurando lanças, para caçar animais, sobreviver e procriar. Esse pragmatismo acompanhou-nos com as ampulhetas e clepsidras, e mantém-se, ainda hoje. E permanece útil, na medida em que as bestas, peles e lanças apenas mudaram de configuração, mas o desafio permanece razoavelmente inalterado.

Esse pragmatismo que me lança no texto, e que pretende enquadrar o vosso pensamento para aquilo que se segue, também está presente naquilo que esperamos de uma mulher. Se vos falo disto é porque vos quero bem, porque lamento não ter tempo para a todas conhecer em sentido bíblico – e é uma irreparável dívida, essa, que assumo – e porque já o tendo dito inúmeras vezes, creio, ainda, não ter sido suficientemente levado a sério. Mas devia.

Um homem procura, no essencial, três coisas numa mulher com quem pretenda fazer uma vida: uma amiga, que convém inteligente, para conversar connosco, para ir connosco ao cinema, para nos ouvir os desabafos, para nos dizer que temos razão e que somos os maiores; uma mãe, não apenas para cuidar dos filhos que queremos ter com ela, mas também para cuidar de nós quando estamos doentes, sendo ponto assente que uma qualquer constipação nos leva à beira da morte e uma mãe é sempre importante, e, finalmente; uma puta, não para nos fornicar o juízo, mas para nos fornicar o corpo, muitas vezes, muito bem, repetidamente (à falta de algo mais complexo, um fellatio regular, feito com determinação, é bom paliativo).

Podem existir outros valores, outros ingredientes, mas o essencial são estes três, e se tiverdes este nosso pragmatismo em conta, sereis felizes. Entender-nos é mais fácil do que entender-vos. Seria de esperar que tirassem daí uma vantagem. Nem sempre o observo. Admito que para vós se afigure injusto obrigar-vos a ser três mulheres em uma. Não pensem assim. Só vos exigimos aquilo de que sabemos serem perfeitamente capazes. O que a nós pedem é bem mais difícil. Ser o homem perfeito ou príncipe encantado é francamente mais difícil do que ser apenas amiga, mãe e puta. E a sorte está do vosso lado, porque à medida que os anos passam, das três, relativiza-se a puta, e podem ficar apenas amigas e mães. Já nós estamos obrigados a ser, para sempre, homens perfeitos.

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

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