Este axioma é particularmente relevante para os homens, até mesmo porque, para as mulheres não tem qualquer aplicação prática. Como se verá, aquilo que agora, pomposamente, designo por “Axioma do Retrocesso”, não afecta de modo nenhum as mulheres, apenas os homens precisam cuidar este axioma e nunca o esquecer.

Como é apanágio dos axiomas (e por isso mesmo é um axioma e não um teorema), aquilo de que vos falarei é por mim considerado como algo que pode considerar-se válido e verdadeiro, dispensando qualquer demonstração ou prova, sem prejuízo para o facto de já muitos homens terem observado tal fenómeno. Sem mais, e resumindo: ou chegas lá directo e em tempo, ou se esperas pelo dia seguinte, estás lixado.

Elaboremos.

Uma das sequências lógicas, referida na literatura e sentida na pele por muitos, procurando levar uma mulher de A a B, em que A é um qualquer ponto de início, irrelevante, e B é a cama ou o chão ou outra superfície qualquer onde  o coito seja anatomicamente possível e – preferencialmente – limpo e pouco doloroso, consiste no convite para almoçar ou jantar, cinema, teatro ou outro evento cultural, provavelmente flores, e muita conversa. Há variações desta sequência, dependendo da faixa etária e das particularidades de cada macho e fêmea, mas genericamente o processo de sedução envolve algum tipo de trabalho a partir pedra e algum investimento financeiro. Pode ser, por vezes, um esforço admirável para levar a mulher de A a B, e se porventura um dos Paradoxos de Zenão fosse verificável, seria mesmo inglório. Felizmente, e como bem sabemos, Zenão não tinha razão, e o próprio sabia disso, procurando apenas exemplificar as consequências da divisão do espaço e do tempo de um modo infinito.

O problema do processo de sedução é que não pode ser interrompido sem um retrocesso mais ou menos visível. Tome-se este exemplo: um macho inicia o seu esforço de sedução às 11 da manhã. Depois vão almoçar, e continua a conversa tarde dentro. Se, por alguma razão, o processo for interrompido, e independentemente do grau de sedução já conseguido, no dia seguinte, quando o macho retomar o processo, terá de começar quase do zero, porque as mulheres não conservam essa energia. Digamos que um macho consegue, num determinado dia, elevar a sedução a uma fêmea a um nível H. Se for interrompido e tiver de retomar no dia seguinte, o nível de sedução a essa fêmea não estará no nível H onde o deixou no dia anterior, mas sim em H-f(S), com f(S) sendo o patamar de sedução efectivamente conseguido durante o processo por redução da resistência inicial. Naturalmente, se H-f(S) = H, então é porque o processo não foi efectivamente interrompido e a fêmea foi, de facto, totalmente seduzida no decurso das operações. O problema é que f(S) tem o seu sucesso em 0, mas começa num valor desconhecido porque, vendo bem, representa a resistência da fêmea à sedução, é uma incógnita, e o macho deve sempre partir do princípio de que o axioma do retrocesso é válido e de que, ao retomar o esforço, H-f(S) é sempre inferior ao H original porque a resistência da fêmea recupera sempre qualquer coisa durante a noite.

Se o aquecimento de uma fêmea levar um macho até ao ponto de tocar a fêmea e o processo se interromper, no dia seguinte o macho não pode partir do princípio de que, pelo facto de no dia anterior o ter feito, estar novamente (ou continuamente) autorizado a tocar a fêmea. Precisa retomar o processo de sedução até que a fêmea manifeste, de novo, sinais de disponibilidade. Isto é, no essencial, o Axioma do Retrocesso.

Para as mulheres tudo isto é muito mais simples, porque o que se nos aplica é o Axioma da Disponibilidade. Assume-se como válido, dispensando verificação, que um homem está sempre disponível, e interessado em percorrer o espaço A a B ignorando o máximo de pontos intermédios e assim negando o mais possível o paradoxo de Zenão, pois não só é possível alcançar B, como o queremos alcançado depressa! Não é que não gostemos da sedução, que gostamos. E muito. Mas a carga genética ainda nos lembra das garras das bestas selvagens quando corriamos pelas estepes com pouco mais do que umas peles à cintura, e isso diz-nos que o tempo é de pragmatismo. Se é para fazer, que se faça, que a seguir é preciso correr.