No dia em que me surgiste pela frente com essas calças justas e me disseste, com sorriso malandro, que estavas pronta para tudo, era claro que na tua cabeça, como na minha, a ideia era apenas uma: foder. Não seria fazer amor, não seria nada procriativo, era foda. Da mais dura e da mais pura, quem sabe até daquele tipo mágico, foder e desaparecer. Com o Sol já muito oblíquo, os tons alaranjados banhavam-te o corpo e acentuavam as curvas contidas na roupa com uma espécie de halo, e eu, sentado cá fora na companhia da brisa do final da tarde, pensava em como seria interessante comer-te de cima abaixo, ou, como provavelmente corresponderia muito mais à verdade, permitir-me ser comido por ti, sem piedade.

Ilusões, tinha poucas. Se, porventura, daquele terraço para um canto escondido se fosse, o comido seria eu. Não só porque acredito que, a comer alguém, são as mulheres que comem – até porque a anatomia assim mo sugere -, mas também porque enquanto o meu entusiasmo era parte de um estado permanente, o teu era especialmente marcado por circunstâncias femininas que eu não dominava e que te deixavam particularmente desejosa dos prazeres que eu te poderia dar.

Avançaste por isso cheia de determinação. Um joelho ameaçador aterrou entre as minhas pernas, o que me fez encolher por escassos instantes, não fosses tu falhar a pontaria, e com ele apoiaste-te na cadeira para, inclinando-te sobre mim, trincares e lamberes a minha orelha enquanto com outra mão mexias no meu cabelo. Insinuaste depois os teus seios, expondo-os ao meu olhar, convidando-me a trincar os mamilos. Analisei a situação e decidi despachar com deferimento. Mordisquei. Depois fizeste as calças justas sair. Se tomo nota mental dessas calças, agora que penso nisso, julgo que era apenas por te fazerem um rabo muito perfeito, despertando em mim a vontade de te deitar no meu colo e dar umas palmadas valentes, como se fosses uma menina mal comportada. Na verdade, ali, eras uma menina mal comportada. Uma devassa. E nós sempre gostamos de dar umas palmadas valentes numas devassas.

Devassa, traquina, franzias levemente o sobrolho enquanto, nua e de braços cruzados sob as mamas, aguardavas na expectativa, como quem pergunta sem falar: Fodes-me?

Foder é coisa para fracos. Foder, perante um estímulo de tal modo intenso, é a solução mais simples. É o que qualquer um faz. Diz muito pouco de nós. Grande garanhão, macho-man, mas essencialmente fraco, porque atraído pelo magneto vulvar pouco faz senão ceder. Por isso levantei-me e, não obstante a teimosa erecção, disse-te que não. Apeteceu-me ser forte – nem que fosse apenas por uma vez – e deixar-te nua e a secar. Como estava já a arrefecer um pouco, baixei-me para te pegar na blusa e foi um erro crasso fazê-lo. Descontente com a rejeição não resististe a fazer-me conhecer de perto as tuas unhas dos pés, tão bem pintadas e tratadas. Não esperava tal coisa, mas só confirmei o que pensava, que foder naquelas circunstâncias era coisa de fracos. Porque forte forte, é resistir à tentação e ainda levar tareia por isso.