De entre as muitas modas e ditaduras que governam os nossos dias, venho hoje falar-vos de uma em particular: a que obriga as mulheres a apresentar genitálias limpinhas, desprovidas de pêlo.

Não sei exactamente como tudo terá começado, mas sei que as páginas centrais da Playboy têm um certo carácter histórico. Se observarmos as playmates dos anos setenta, veremos que a partir do momento em que começam a surgir montes-de-vénus à vista, surgem munidos de frondosa pilosidade. Ao longo dos anos oitenta, se a memória não me falha, começamos a assistir a uma redução de pêlo: ele ainda lá está, mas os limites estão agora melhor definidos, assumem muitas vezes triângulos ou rectângulos de contornos exactos e o comprimento dos pêlos púbicos é controlado. Assim que entramos nos anos noventa começa o pêlo a desaparecer. Ou são aparados muito mais curtos, desaparecem na vulva ficando apenas resquícios no monte-de-vénus, ou então desaparecem por completo. Essa tendência acentua-se fortemente desde 2000, e está de tal modo que há muitos jovens que perante uma mulher com pêlos curtos, aparados (o que seria banal anos antes), a primeira coisa que dizem é “já compravas uma gilette”. Temo bem que muitos deles estejam fadados a uma tremenda desilusão quando perceberem que nem todas as mulheres são como as das revistas. Diria até que, para esses jovens, uma pintura como aquela que fez recentemente furor nas notícias (por razões que diria deslocadas e artificialmente empoladas) retrata algo totalmente desconhecido.

Assim como as calças à boca-de-sino, os óculos de sol de grandes dimensões, e os grandes tacões, também a pelonga púbica voltará em movimento revivalista. Já se observa, aqui e ali, aliás. A obsessão por genitálias totalmente rapadas parece-me uma coisa estranha. De um ponto de vista prático, quem se delicia com o sexo oral encontra vantagens em não se engasgar – é sabido que os sacanas se prendem à garganta e é um sarilho tirá-los -, mas é no aspecto estético que a ausência de pêlos púbicos me desagrada. Não consigo encontrar especial interesse numa genitália feminina que se apresenta desprovida de pêlos. É demasiado infantil. Os pêlos púbicos são, no mínimo, sinalizadores de um ponto de interesse, algo que merece que nos desviemos do caminho para ir lá ver o que é, para ver a paisagem, saborear a gastronomia local, enfim… passar um bom bocado.

Suponho que são já poucos os homens interessados em farfalhudas imaculadas, mas suspeito que são já muitos a suspirar por pêlo. Um pêlo tratadinho, sim, mas visível. Um bom sinal disso talvez seja o número de pessoas que chegam até este blog à procura de mulheres peludas. Ao longo do último ano, são muitas as visitas de pessoas que pesquisam no google e em outros motores de busca por “gajas peludas”, “gajas pentelhudas” (estas eu acredito que sejam aquelas que penduram pentes na genitália, e antes pentes que escovas, que isso deve arranhar), “gordas peludas”, ou apenas e só “peludas”. Como se vê, há um imenso mercado para esta gente. Isto só pode ser um sinal de que os homens começam a fartar-se de vulvas rapadas. Para quem me visita porque o google os mandou até cá, eu lamento não poder (ou não querer) corresponder com imagens à medida, que é aquilo que provavelmente desejariam. Mas posso dizer a esses visitantes que, dentro de certos limites do razoável, estou solidário! E que acredito que esta geração viverá, ainda, os dias do pêlo frondoso e encaracolado (espero porém que isso não se faça acompanhar dos ombros com chumaços)!