Não és especial. Devias perceber isso. Não és melhor, não és especial, não tens mais valor que os outros. O teu valor está na intersecção daquilo que te atribuis com o que os outros te atribuem. Nem mais, nem menos. Tens a importância que os outros te dão, e se te derem muita importância pode acontecer que, na verdade, tenhas um pouco menos que isso.

Cresceste numa bolha que diminuiu com a tua altura. Em criança eras o Sol e a tua esfera de influência e importância eram grandes. Mas ao crescer a bolha esticou, adelgaçou, chegou a menos gente, tocaste menos corações, ficaste tu e pouco mais. Percebe isso, é melhor para ti.

No começo eram milhões e tu acima. Agora estás ao mesmo nível. Olhas à volta e percebes que és nada. Um nada. Não desesperes. És um nada igual aos outros nadas, todos são um nada à tua volta, e vivem tão inchados de si mesmos como tu vivias. Hão-de cair da cadeira, como tu. Quem cai mais cedo levanta-se mais cedo. Aproveita isso, ao menos.

Mete as tuas birras num saco e fecha-o bem. Deixa-te de coisas. Não amues. Não penses que tens direitos. Não penses que podes exigir, que levantas um dedo e as coisas acontecem, que estão sempre lá para ti, que os teus sucessos são algo adquirido que não foge. Vê que tudo muda, que tudo se altera e não podes controlar nada. Nada ouviste? Nada.