O destino de cada um está traçado desde o princípio: pelos outros. Normalmente por pais bem intencionados que não devemos julgar nem culpar por isso. Não é de espantar que tanta gente tenha medo da mudança porque quando cresceram já sabiam para o que cresciam, as balizas estavam bem definidas, horizontes bem traçados com pouco espaço para descobertas e mudanças.

Vais crescer e vais estudar, dizem-nos. Para te formares, para seres alguém. Para seres como o teu irmão, para seres como o teu tio, para teres o sucesso do teu pai. Para seres, mais do que alguém, como alguém. Se um dia as tuas balizas desaparecem ou se alargam muito as mudanças podem acontecer e aí acontece o medo.

Toda a gente tem medo, mas não admite. Nem pode. Porque o medo foi coisa que se aprendeu a reprimir, a esconder.  Mas toda a gente tem medo, e medo da mudança. Numa fase da vida em que as balizas não existem ou estão longe, e já ninguém nos diz que temos de ser como o irmão, como o tio, como o pai. Vidas sobre vidas apoiadas em alguém, todas as gerações a crescer para ser como alguém que lhes serviu de modelo. Se um dia te faltarem os modelos vais ser como quem? Talvez nessa altura tenhas de ser como tu próprio, mas tu não sabes o que isso é, porque perdeste demasiado tempo a ser como outra pessoa qualquer.

É então que ficas com medo. Não sabes o que vais descobrir e tens medo de não gostar.

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

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