9. Das fêmeas roliças

Macho, não desprezes as fêmeas gordas. Podes, com toda a propriedade, procurar evitar as fêmeas que te comprimam demasiado o corpo, ou que te impeçam de as segurar contra a parede se fores pouco dotado de músculo, mas não desprezes uma fêmea que tenha mais alguns quilos do que aquilo que se tem considerado esteticamente agradável.

É verdade que a mente do macho se orienta pela imagem. Uma fêmea bem arranjada, com roupa adequada ou totalmente desprovida de texteis, com aquele peso ideal, de silhueta magistralmente esculpida, é sempre bem recebida pelos nossos olhos. Olhamos para ela com desejo e fantasiando desde logo as várias maneiras de a conduzir ao local mais próximo onde podemos deleitar-nos com os quentes e húmidos que nos oferecem. E porque a imagem é o nosso domínio de perdição, as mulheres gordas têm uma tarefa muito mais complicada para nos seduzir. Não fosse a saúde razão suficiente para perderem peso, quanto mais não fosse para conquistar lugar à sombra do estômago dilatado de um típico macho lusitano, as fêmeas gordas procurariam sempre formas de melhor se apresentarem aos nossos olhos. Com roupa redutora, com exercícios, dietas pouco sensatas.

O macho atento deve ser capaz de valorizar uma fêmea roliça, não permitindo que por existirem quilos a mais a sua atenção se desvie, ou demonstre repugnância pela flacidez e abundantes camadas adiposas. Se o macho, por alguma razão, se apaixonar por uma fêmea gorda, saberá porque razão não devem ser desprezadas. Se nunca aconteceu, e se um macho continua a perseguir apenas a imagem elegante da fêmea magra, pense nisto por um instante: quando se ultrassa a distância socialmente correcta, quando a imagem de um imenso corpo nú desaparece e dá lugar a um palmo de cara, depois de parte da essência masculina se esconder engolida por entre coxas amigas, olhando a fêmea olhos nos olhos, tudo muda.

Ao macho desatento aviso, então, que o que torna uma vagina nossa amiga não é a qualidade visual do envólucro, é a mente e a vontade com que se entrega. E a qualidade visual, já se sabe, é uma função pouco monótona.

@2005-12-13 14:00