7. Das gajas boas

Machos amigos, acautelai-vos porque as Gajas Boas andam aí! As fêmeas apresentam-se de duas formas: as gajas boas e as gajas. As gajas boas são aquelas que nos agradam aos olhos logo num primeiro contacto, sem ser preciso procurar pontos de interesse. São aquelas que têm glândulas mamárias de dimensão generosa – ou pelo menos as que cabem na perfeição na mão de cada macho -, duas nádegas bem feitas, pernas bonitas e um frontispício bonito também. Já as gajas, são apenas as gajas. Se não são gajas boas são só gajas. Aquelas que na rua não nos fazem virar a cabeça e não motivam assobios nem olhares libidinosos.

No entanto, amigos machos, a melhor fêmea para uma vida em conjunto é a gaja. Pura e simples. A gaja boa não é boa fêmea para esse efeito. Se estais adormecidos, explico-vos porquê.

A gaja boa sabe que é boa. Sabe porque nós lhe damos indicações nesse sentido, sabe porque tem espelhos em casa e porque as outras gajas lho mostram com as suas invejas bem femininas. As gajas boas sabem que são boas e jogam com isso. Não precisam esforçar-se para conquistar, os homens estão sempre disponíveis a um estalar de dedos. É possível que os homens que lhes aparecem não sejam sempre os que desejam, mas a oferta será sempre grande, ainda que necessite de um criterioso processo de selecção já que, lamentavelmente, nem todos os machos são bons machos.

As gajas boas deslizam pelas ruas espalhando glamour por tudo quanto é lado. Mexem-se de outra forma, vestem de outra forma, falam de outra forma. As gajas, puras e simples, as que a natureza não dotou de atractivos imediatos, têm um trabalho acrescido: o de mostrar aos machos que são atraentes, à sua maneira. E porque não andam cheias de machos à sua volta, sabem que o macho que têm foi conquistado com esforço. E dedicam-se a esse macho.

Mas as gajas boas podem saltitar de macho em macho. Não precisam esforçar-se muito para ter um parceiro, basta estalar os dedos. E para o macho que tem uma gaja boa todos os dias há perigos novos. Há novos machos a competir pela companhia dessa gaja boa. Nunca há segurança com uma fêmea. Mas com uma fêmea que é gaja boa, essa segurança é ainda menor. Para segurança acrescida – pese embora nunca garantida, não o esqueceis – escolham sempre as gajas, puras e simples. Deixem as gajas boas no domínio das vossas fantasias e procurem viver com uma gaja do mais normal que há. Far-vos-á muito mais felizes, se a tratarem bem, i.e., se a fizerem feliz também, com o interesse acrescido de, por não serem óbvias, terem atractivos escondidos que só vocês conhecem.

@2005-12-10 12:00