Muitas pessoas ficam surpreendidas quando terminam uma relação e observam que o seu antigo par adopta atitudes totalmente diferentes com o novo parceiro. E dão por si a pensar «então comigo não fazia isto e aquilo porque não sei bem o quê, e agora com aquele já faz?». Porque sou eu a pensar nisto neste momento, é este o género que uso, mas o pensamento é válido tanto para homens como para mulheres. Há um certo espanto pela mudança de comportamentos, mas é injustificado. A mudança é saudável.

Porque é que se fica surpreendido quando os nosso antigos pares fazem com outros coisas que não faziam connosco? É caso para se julgar que se trata de ciúme, ou mesmo de despeito. Diria antes que é um espanto que nos ocorre porque não sabemos explicar porque razão os comportamentos se alteram, ou porque razão não faziam as pessoas connosco aquilo que agora sabemos fazerem com outros.

Mudar os comportamentos de relação em relação é saudável, é normal. Estranho seria se não acontecesse.

As relações terminam porque não funcionam. Seja por partilha de deficiências ou falta de uma das partes, não funcionam e terminam. Não será então normal que as pessoas mudem de comportamento e façam, no futuro, coisas diferentes com os seus novos parceiros? Manter os mesmos comportamentos, dizer as mesmas coisas, ir aos mesmos lugares, adoptar as mesmas actividades em conjunto não seria correr o risco de perpetuar a existência de todas as condições necessárias para nova falha?

Olhar para trás e reconhecer os erros cometidos é um passo importante para ter sucesso no futuro. É um procedimento que se aplica a muitas outras coisas na vida e que dá sempre bom resultado. Sair de uma relação e, friamente – o que normalmente requer algum distanciamento, leia-se… tempo – rever tudo o que se passou é parte do processo de aprendizagem pelo qual é preciso passar para não falhar de novo. E se se fizeram coisas erradas, mudam-se os comportamentos. Fazem-se coisas diferentes. Procura-se inovar na nossa forma de relacionamento com o próximo. E se antigamente não se fazia algo, que se passe a fazer. Desde que seja bom.

@2002-06-21 22:22