O amor é exclusivo

Não serão, certamente, muitas as coisas que podemos dizer «isto é só meu», mas quererá isso dizer que não temos o direito de querer que certas coisas sejam apenas nossas? Será que a dificuldade em consegui-lo ou em mantê-lo nos retira o direito de achar que certas coisas devem ser tidas e vividas em exclusividade? Será uma atitude de velho-do-restelo achar que certas coisas não são correctas porque atacam directamente essa exclusividade? Am I an old fashioned guy? Serão certos valores antigos apenas isso, antigos, ou serão mesmo uma coisa boa a preservar?

O amor é exclusivo. Tem de ser. Precisa ser. E porquê? Porque se não for exclusivo não respeita as pessoas, e sem respeito não há amor. O respeito é parte integrante do amor. Quando se ama o respeito está acima de tudo, e como tal não podem existir partilhas. Nem de espaço, nem de tempo. É preciso entender-se isto muito bem, e quando não se entende nada melhor do que ver as coisas do outro lado, tentar ver como seria se isto fosse connosco. Todas as pessoas que não consideram o amor exclusivo devem tentar sentir-se numa situação de partilha. Partilha de atenção, de dedicação, de tempo, e com isso ver se gostam de se sentir nessa pele. Acredito que não gostem. Quando amamos queremos a pessoa amada apenas para nós. E é normal que também queiramos ser apenas dessa pessoa. E como tal não colocamos ninguém – nem nada – acima dessa pessoa. Não damos mais atenção a terceiros, não falamos mais com terceiros, não pensamos mais em terceiros do que na pessoa que amamos. A exclusividade é isso. Acima da pessoa que amamos, nada. Mais ninguém.

Ao amar, ao ser amado, eu quero ser a prioridade máxima, e dar a prioridade máxima a quem amo. Quero ser correspondido, quero ser respondido. Quando pergunto, espero uma resposta. Quando olho, quero ser olhado de volta. Quando o meu pensamento ganha a forma da pessoa que amo, quero que também o dela ganhe a minha forma. Não quero, nem tolero, que o pensamento de quem amo ganhe outros contornos, que o tempo que me dedica seja inferior ao que dedica a outras pessoas. E o mesmo se aplica a mim. A qualquer homem. E mulher.

E isto não é ser-se possessivo, nem sequer tentar asfixiar o outro, cortando-lhe o ar e os movimentos. Isto é apenas uma coisa: respeito. Daquele que é bom e que a gente gosta. Toda a gente gosta. Mas esquece-se de retribuir. E sentando-me, que de pé me canso de esperar, me interrogo: mas porque raio não é isto claro? Am I an old fashioned guy?

@2001-08-04 20:20

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

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