1. Da fêmea e do animal selvagem

Estamos a pagar um atraso da evolução. Nós homens, bem entendido, estamos presos pela lenta evolução da espécie, que nos leva a ficar universos atrás das mulheres. Longe estão os tempos em que o homem tratava da protecção da fêmea, da alimentação dos seus herdeiros genéticos, e era obrigado a copular, nos antecedentes da actual “rapidinha”, com toda a velocidade antes que algum predador lhe saltasse para as costas. Longe estão os tempos em que a fêmea – bem me parece que apenas por questões anatómicas – ficava entregue ao cuidado dos rebentos, à mercê dos cuidados do macho.

Pois que bem longe estão, mas o homem continua atrasado. O macho continua a existir para reproduzir, a fêmea existe para ter prazer. Parece-me evidente que mesmo já não existindo o perigo dos animais selvagens – ainda que se mantenha o gosto de alguns pela “rapidinha”, construção e ferramenta do imaginário masculino -, o macho continua preso a essa velha necessidade de sobrevivência, e não são raras as ocasiões em que o macho, cansado e desolado pela inacção após uma missão cumprida, se vê obrigado a sorrir de forma amarela perante a insatisfação da fêmea que lhe exige melhores rendimentos, uma nova estafeta. Baixo e sujo jogo este o das fêmeas, que nos apontam os defeitos dos quais não temos culpa. A culpa é dos animais selvagens, das grutas sem portão e das fogueiras que se apagavam a meio.

@2000-11-19 17:04